terça-feira, 11 de junho de 2013

Ser ninguém

Tão longe, mesmo que perto.
Tão solitária, mesmo que acompanhada.
Tão fria, tão rude, tão vazia...
Ninguém a compreendia.
(Tudo que sei, é que nada me preenchia).

Às vezes fugia tentando se encontrar em alguém, em algum lugar.
Se, de repente, deparasse com a realidade sentia que enlouqueceria.
Sufocando-se com qualquer companhia.
Vivia bem dentro de seus pensamentos.
(Ah! Se tu soubesses... Se soubesses que tudo o que eu queria era alguém que não soltasse minha mão).

As palavras mal ditas e engolidas sufocavam-lhe.
Talvez não fosse ninguém por ser tão comum.
(Os detalhes mais desprezíveis pertenciam-me).
Talvez fosse alguém por ser tão eu.
(É mais fácil quando menciona a si mesmo em uma terceira pessoa).
Ser apenas mais um rosto no meio da multidão que continua caminhando na escuridão.

Deixe-me de lágrimas inundar, me perder e me achar.
Só não me julgue quando tudo o que quero é amar.

Tropeçar nas palavras e embaralhá-las. 
Dizer nada, quando tenta se dizer tudo.
Confundir e sumir.
Pintar e desbotar.
SEMPRE se reinventar.

Falar de mim é complicado, então, escrevo.

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