sábado, 9 de novembro de 2013

Palavras Reprimidas

Dói...
O peso de cada lágrima
é o peso de cada palavra guardada.
Palavras encravadas.
Vem e arrebata essa dor causada.
Motivada por minha voz embargada.

Vem e me faz falar
aquilo que já não quero calar.

Vem e me faz renascer.
Fazer o receio romper e te dizer.
Antes que eu canse
e me permita esquecer.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Meios Pedaços Poéticos

Eu sou um pedaço
dos pedaços
que flutuam no espaço
como se não pudessem ser inteiros,
como se só pudessem se partir em meios.

Dos meios pedaços em que me faço
Das metades em que me parto
Me desfaço em rimas
com um grande abraço.
"Inteiro" é um abraço de "pedaços".

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Profunda Antipatia

Eu odeio tudo aquilo que crio,
Eu odeio tudo aquilo que digo
e o que não digo.
Eu odeio tudo aquilo que faço
e o que não faço.
Eu odeio tudo aquilo que sou
e o que me leva a ser o contrário.
Eu odeio tudo aquilo que me faz medo,
Eu odeio tudo aquilo escrevo
e o que eu não vejo
que me "toca" e me transforma.
Eu odeio não ter o que eu gostaria de ter
que deixa um espaço vazio no meu ser.
E, por fim de tudo, mas, não menos importante:
Eu odeio dizer que odeio essas coisas que odeio
quando na verdade, eu odeio não saber o que realmente odeio.
O que me leva a confirmar que vivo, mas, vivo na vida com receio.

domingo, 4 de agosto de 2013

Sem Cor

Sentir...
Um motivo que faz sufocar
Um motivo para errar
Um motivo para querer se matar.

Sumir...
Um mundo a desmoronar
Ficando sem cor
Transformando-se em dor
Quando o amor perde seu sabor.

domingo, 30 de junho de 2013

Um Leve Ser

Cabeça falante,
Pensamentos alucinógenos.
Alguém deveria a fazer se sentir presente.

Cai a folha seca no poço.
É frio e escuro.
Há uma voz lá de cima dizendo: "Olá!".
Os ecos parecem não parar.
Será que alguém pode lhe salvar?

Ouve-se tudo, mas, não se sentia nada.
Completamente parada.
Inacessível,
pois,
ela é irreal.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Ser ninguém

Tão longe, mesmo que perto.
Tão solitária, mesmo que acompanhada.
Tão fria, tão rude, tão vazia...
Ninguém a compreendia.
(Tudo que sei, é que nada me preenchia).

Às vezes fugia tentando se encontrar em alguém, em algum lugar.
Se, de repente, deparasse com a realidade sentia que enlouqueceria.
Sufocando-se com qualquer companhia.
Vivia bem dentro de seus pensamentos.
(Ah! Se tu soubesses... Se soubesses que tudo o que eu queria era alguém que não soltasse minha mão).

As palavras mal ditas e engolidas sufocavam-lhe.
Talvez não fosse ninguém por ser tão comum.
(Os detalhes mais desprezíveis pertenciam-me).
Talvez fosse alguém por ser tão eu.
(É mais fácil quando menciona a si mesmo em uma terceira pessoa).
Ser apenas mais um rosto no meio da multidão que continua caminhando na escuridão.

Deixe-me de lágrimas inundar, me perder e me achar.
Só não me julgue quando tudo o que quero é amar.

Tropeçar nas palavras e embaralhá-las. 
Dizer nada, quando tenta se dizer tudo.
Confundir e sumir.
Pintar e desbotar.
SEMPRE se reinventar.

Falar de mim é complicado, então, escrevo.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Amor desbotado


Descobri que ainda me dói...
Cada gesto não correspondido,
Cada olhar perdido,
Momentos esquecidos
Por ti, não por mim.
Achei que eu fosse mais forte, mas, eu não sou.
Achei que tudo iria passar, mas, não passou.
Anos e mais anos se foram e nada mudou.
Se tu soubesses o quanto me desgasta, não faria isso comigo. 

sábado, 18 de maio de 2013

Mal Interpretado

É, deve ser...
Devo ter mesmo mudado, devo ter desaparecido.
Devo ter te maltratado, te ignorado, te aborrecido. 
Devo ter sido tudo o que eu nunca quis ser, só pode, só pode ser.
Mas, saiba, você devia ter notado.
Notado que não era nada disso.
Fiz foi de tudo pra ter se sentido amado.
É, deve ser...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Bêbada Desengonçada

Embriago-me para me soltar e mostrar o quão amável eu posso ser.
Agir com sentimentos e expressão que eu gostaria de ter.
Os que me surgem do nada.
Faço mesmo sabendo do trabalho que posso dar a quem estiver comigo.
Quantas vezes me carregaram por nem consegui me manter em pé, ou seguraram meu cabelo porque vomitava sem parar e até chegaram a me abrigar em suas casas por estar completamente descontrolada para ir embora.
Estando consciente da minha insanidade por tal ato e saber que no dia seguinte estarei completamente sem graça por tudo.
Precisar pedir desculpas por tamanha irresponsabilidade minha.
Porém, não me arrependo tanto de por um momento ter mostrado a pessoa divertida e afetuosa que tem dentro de mim.  
Sou feliz nesses instantes.
A bebida faz isso comigo.
Faz com que eu me liberte.
É quando ganho coragem para dizer o que sinto e penso, mesmo que atropelando nas próprias palavras. Mostrando como sou imperfeita e desengonçada.
A ressaca horrível do dia seguinte e a tristeza que me bate sem porquê.
Volto ao estado insensível e amargurado.
Repulsivo a qualquer sentimentalismo.
Alguém mal amado.
E me pergunto; são eles que se negam a ver, ou sou eu que não sei demonstrar?
Aqui estou procurando meu doce “eu” sem encontrar.
Não sei se bêbada sou mais decifrável do que sóbria mórbida, ou se tudo se esconde por baixo de uma capa que ninguém suspeita ou se interessa em ver o que ali possa estar, mas, nem eu mesma me atrevo a olhar.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Carta Suicida

Perdoem-me por tudo e pelo nada que nunca tive coragem de fazer.
Sei que há uma camisa para pintar a qual comprei recentemente.
Sei que deixei o café pela metade e as cinzas do cigarro no lugar errado.
Sei que não terminei de ler aquele livro.
Sei que não assisti ao novo filme do Cruise, nem aos inúmeros existentes.
Sei que não vou realizar o sonho de ter um fusca, ou de envelhecer e morrer ao som de um bom vinil.
Sei que deveria ter dado o banho na minha cadela e ter a levado para passear.
Juro que não pude. A dor era maior.
Sei que vivi muito tempo ausente por passar maior parte dele dentro de mim e ter esquecido de quem estava ali.
Sei que fui um tanto impulsiva diversas vezes. Saibam, me arrependi de quase todas.
Sei que não fechei a janela e deixei a chuva molhar os móveis. Simplesmente esqueci da imensidão que algo tão 'pequeno' poderia fazer.
Sei que havia muito à ser feito e dito, mas, não consegui.
Sei que não fui uma boa filha, nem uma boa amiga, muito menos uma boa amante.
Sei que derrubei as tintas no tecido errado.
Fui quando deveria ter ficado.
Assim como talvez esteja indo agora sem precisar ir, mas, não se esqueçam de que em mim tudo se explodiu por dentro. Não restou nada, nada além de um saco 'bonito' com mercadoria suja.
Desculpem. Fiz o máximo que pude. Errei querendo acertar.
Peço apenas que guardem consigo o que me foi mais precioso transmitido para simples fotografias, desenhos, pinturas e textos desleixados que fiz.
Não se esqueçam que o que és, irá prevalecer na diferença que fazes.
Desculpem minha fraqueza e minha incapacidade de organizar o quarto dentro de mim.
Não pude lidar com a minha voz de dentro me sufocando ao tentar sair.
Silenciarei para sempre agora.
Adeus.

sábado, 11 de maio de 2013

Como Dois Pássaros

Não te aprisiono, nem nunca irei.
Sempre lhe deixarei ir.
Quero ver-te voar.
Quero ver-te criar asas e ser  livre.
Quero ver-te ir longe apreciar deste lindo céu azul.
Não peço que fique.
Peço-lhe apenas que às vezes desça e me conte sobre como as mudanças acontecem lá de cima.
Venha cantar todas as manhãs próximo de mim.
Irei lhe ouvir e admirar-te da minha janela.
Por segundos, sentirei inveja.
Entristecerei quando o ver partir outra vez.
Nos dias em que não estiver, imaginarei por onde voas.
Manterei-te presente dentro de minha mente.
Sufocarei e me perderei.
Esperarei-te voltar para que também me ensine a voar.
Trará-me asas...  As asas que me foram cortadas.
Recuperarei a voz e direi-te então que sempre foste meu ninho.
Voarei junto a ti com tal doce ilusão de liberdade.
Confortaremo-nos na prisão dessa imensidão do céu.