domingo, 19 de janeiro de 2014

Re-começar

Sendo estar o mesmo que ir
Seja então levantar e partir
Se chover, é só rir.
Estando sempre a deixar sair,
deixar fluir tudo
aquilo que não deve existir.
Fugir.
Não sentir o que deve sumir.
Desistir.

Andar por onde trilhar.
Sem voltar,
pois,
não há lugar,
nem motivos para ficar.

À busca daquilo que me faça cantar.
À busca daquilo que me faça falhar,
sem me permiti desmontar.
À busca do que possa me recriar.
À busca do que me fará voar
e vá me acompanhar.

sábado, 9 de novembro de 2013

Palavras Reprimidas

Dói...
O peso de cada lágrima
é o peso de cada palavra guardada.
Palavras encravadas.
Vem e arrebata essa dor causada.
Motivada por minha voz embargada.

Vem e me faz falar
aquilo que já não quero calar.

Vem e me faz renascer.
Fazer o receio romper e te dizer.
Antes que eu canse
e me permita esquecer.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Meios Pedaços Poéticos

Eu sou um pedaço
dos pedaços
que flutuam no espaço
como se não pudessem ser inteiros,
como se só pudessem se partir em meios.

Dos meios pedaços em que me faço
Das metades em que me parto
Me desfaço em rimas
com um grande abraço.
"Inteiro" é um abraço de "pedaços".

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Profunda Antipatia

Eu odeio tudo aquilo que crio,
Eu odeio tudo aquilo que digo
e o que não digo.
Eu odeio tudo aquilo que faço
e o que não faço.
Eu odeio tudo aquilo que sou
e o que me leva a ser o contrário.
Eu odeio tudo aquilo que me faz medo,
Eu odeio tudo aquilo escrevo
e o que eu não vejo
que me "toca" e me transforma.
Eu odeio não ter o que eu gostaria de ter
que deixa um espaço vazio no meu ser.
E, por fim de tudo, mas, não menos importante:
Eu odeio dizer que odeio essas coisas que odeio
quando na verdade, eu odeio não saber o que realmente odeio.
O que me leva a confirmar que vivo, mas, vivo na vida com receio.

domingo, 4 de agosto de 2013

Sem Cor

Sentir...
Um motivo que faz sufocar
Um motivo para errar
Um motivo para querer se matar.

Sumir...
Um mundo a desmoronar
Ficando sem cor
Transformando-se em dor
Quando o amor perde seu sabor.

domingo, 30 de junho de 2013

Um Leve Ser

Cabeça falante,
Pensamentos alucinógenos.
Alguém deveria a fazer se sentir presente.

Cai a folha seca no poço.
É frio e escuro.
Há uma voz lá de cima dizendo: "Olá!".
Os ecos parecem não parar.
Será que alguém pode lhe salvar?

Ouve-se tudo, mas, não se sentia nada.
Completamente parada.
Inacessível,
pois,
ela é irreal.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Ser ninguém

Tão longe, mesmo que perto.
Tão solitária, mesmo que acompanhada.
Tão fria, tão rude, tão vazia...
Ninguém a compreendia.
(Tudo que sei, é que nada me preenchia).

Às vezes fugia tentando se encontrar em alguém, em algum lugar.
Se, de repente, deparasse com a realidade sentia que enlouqueceria.
Sufocando-se com qualquer companhia.
Vivia bem dentro de seus pensamentos.
(Ah! Se tu soubesses... Se soubesses que tudo o que eu queria era alguém que não soltasse minha mão).

As palavras mal ditas e engolidas sufocavam-lhe.
Talvez não fosse ninguém por ser tão comum.
(Os detalhes mais desprezíveis pertenciam-me).
Talvez fosse alguém por ser tão eu.
(É mais fácil quando menciona a si mesmo em uma terceira pessoa).
Ser apenas mais um rosto no meio da multidão que continua caminhando na escuridão.

Deixe-me de lágrimas inundar, me perder e me achar.
Só não me julgue quando tudo o que quero é amar.

Tropeçar nas palavras e embaralhá-las. 
Dizer nada, quando tenta se dizer tudo.
Confundir e sumir.
Pintar e desbotar.
SEMPRE se reinventar.

Falar de mim é complicado, então, escrevo.