Perdoem-me por tudo e pelo nada que nunca tive coragem de fazer.
Sei que há uma camisa para pintar a qual comprei recentemente.
Sei que deixei o café pela metade e as cinzas do cigarro no lugar errado.
Sei que não terminei de ler aquele livro.
Sei que não assisti ao novo filme do Cruise, nem aos inúmeros existentes.
Sei que não vou realizar o sonho de ter um fusca, ou de envelhecer e morrer ao som de um bom vinil.
Sei que deveria ter dado o banho na minha cadela e ter a levado para passear.
Juro que não pude. A dor era maior.
Sei que vivi muito tempo ausente por passar maior parte dele dentro de mim e ter esquecido de quem estava ali.
Sei que fui um tanto impulsiva diversas vezes. Saibam, me arrependi de quase todas.
Sei que não fechei a janela e deixei a chuva molhar os móveis. Simplesmente esqueci da imensidão que algo tão 'pequeno' poderia fazer.
Sei que havia muito à ser feito e dito, mas, não consegui.
Sei que não fui uma boa filha, nem uma boa amiga, muito menos uma boa amante.
Sei que derrubei as tintas no tecido errado.
Fui quando deveria ter ficado.
Assim como talvez esteja indo agora sem precisar ir, mas, não se esqueçam de que em mim tudo se explodiu por dentro. Não restou nada, nada além de um saco 'bonito' com mercadoria suja.
Desculpem. Fiz o máximo que pude. Errei querendo acertar.
Peço apenas que guardem consigo o que me foi mais precioso transmitido para simples fotografias, desenhos, pinturas e textos desleixados que fiz.
Não se esqueçam que o que és, irá prevalecer na diferença que fazes.
Desculpem minha fraqueza e minha incapacidade de organizar o quarto dentro de mim.
Não pude lidar com a minha voz de dentro me sufocando ao tentar sair.
Silenciarei para sempre agora.
Adeus.